


Jurado: Alex Castro
Site/blog: http://www.interney.net/blogs/lll/
Sobre: 35 anos, é um escritor carioca e mantém o blog Liberal, Libertário, Libertino, visitado mais de 2 milhões de vezes desde 2003. Já escreveu quatro livros, todos lançados pela editora Os Viralata: Onde perdemos tudo (contos, 2006), Liberal, Libertário, Libertino (crônicas, 2007), Radical, Rebelde, Revolucionário (crônicas sobre Cuba, 2007) e Mulher de um homem só (romance, 2009). Este é seu segundo ano como jurado da Copa de Literatura Brasileira.
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Dizem que esse é um dos jogos mais esperados da copa. Com certeza, é o mais difícil.
Temos dois autores veteranos e conhecidos (ainda que Calligaris seja estreante na ficção), com dois romances curtos e enxutos, corretos e sofisticados, lançados pela mesma editora de primeira linha, centrados na questão da paternidade, e com a mesma “surpresa” no final. Aliás, são tão parecidos que liguei pro Lucas, o organizador da Copa, e perguntei se tinha sido coincidência estarem no mesmo jogo.
Impossível escolher entre eles.
Em O conto do amor, de Contardo Calligaris, um psicanalista italiano radicado em Nova Iorque (como o autor) começa a tentar reconstituir a vida do pai recentemente falecido. Descobre que na década de 30, antes da guerra, seu pai vivera um caso de amor com uma mulher mais velha. Descobre, mais ainda, que seu pai se imaginava a reencarnação de um pintor renascentista menor. Tentando retraçar os passos do pai e entender suas obsessões, o narrador volta à Itália, acaba se envolvendo com uma jovem pesquisadora e, no fim, desenterra uma surpresa.
O livro é bom. Não empolga em momento algum, mas também nunca erra. É uma tentativa correta, mas fria, de unir erudição e sentimento e me fez, mais do que tudo, ter vontade de reler Aqueles cães malditos de Arquelau, de Isaías Pessotti, que atingiu com genialidade tudo o que O conto do amor alcançou com competência.
Em Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum, temos a história da decadência de Armindo Cordovil, filho de um rico empresário da borracha de Manaus, desde seu nascimento em berço de ouro até a velhice miserável. Assim como em O conto do amor, a figura do pai também é fundamental: é em relação ao pai que Armindo sempre se define. Destaque também para Estiliano, melhor amigo do pai e que cuida de Armindo até sua velhice; Florita, sua empregada-concubina-escrava; e Dinaura, uma efêmera amada, uma mulher fugidia que atormenta Armindo por toda sua vida, da riqueza à pobreza. No final, desenterra uma surpresa.
O livro é bom. Não empolga em momento algum, mas também nunca erra. De fato, não tenho críticas.
Impossível escolher entre ambos. São corretos, sem erros, sem empolgação. Obras maduras de autores maduros. Histórias de homens que se voltam ao passado e aos seus pais, na tentativa de descobrir quem são, e acabam tendo… a mesma surpresa.
Não sei escolher. Gostaria que a Copa permitisse empates. Na obrigação de escolher um, escolho O conto do amor, do Calligaris, pelo simples fato de eu ter me envolvido mais com a história – provavelmente porque me sinto mais próximo da Itália renascentista do que da Amazônia fin de siècle.
Mas é uma vitória por pontos. Pouquíssimos pontos.










